terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Buscando Waterloo

 O Napoleão de Garanhuns: sua volta não fará bem ao país

O Brasil era ruim. Com Lula ficou pior. Tornamo-nos terrivelmente aborrecidos e repetitivos. Com Lula e o PT o Brasil se tornou mais indulgente, mais servil, mais apedeuta e menos ético. Mesmo a corrupção foi desmoralizada. O que antes era privilégio de alguns coronéis românticos hoje se tornou uma conduta institucional. O lulismo socializou a bandidagem. O que fazia Renan Calheiros agora pode ser feito até por um funcionário da Receita Federal mineiro.

Ao longo de oito anos, servido da incompetência da oposição e do servilismo da imprensa amestrada, Lula ergueu um capital político, estruturado em sua popularidade, que o permitiu se imaginar como um Napoleão. Contumaz desrespeitador das leis, foi o campeão de crimes eleitorais durante a última eleição. Como ninguém usou a máquina em serviço de suas causas políticas. Ainda semana passada, sem nunca se cansar de cometer ilegalidades, transformou seu último pronunciamento em um descarado programa eleitoral. Só no Brasil. Em um país um pouco menos pedestre, os únicos discursos que Lula faria seriam na prisão, diretamente para seu advogado.

Lula sonha com sua volta ao poder em 2014. Como o Napoleão francês, o Napoleão de Garanhuns até já encontrou sua ilha de Elba, onde pretende permanecer em uma espécie de autoexílio. Convidado a se hospedar em uma das mansões do donatário José Sarney, dono do Maranhão, a última Capitania Hereditária do Brasil, na ilha de Curupu, Lula pretende se alçar à condição de encosto moral do país.

Atormentará Dilma, disputando com ela o comando da máquina petista e do próprio governo. Lula inviabilizará o governo do poste que elegeu. Ser um obstáculo ao avanço do país sempre foi o seu maior talento. O foi na oposição raivosa e intransigente a tudo o que veio antes dele. O é enquanto presidente, relativizando o passado e mistificando o presente. Será também quando ex-presidente, ao tornar sua pupila escrava do seu legado.

O ano termina junto com um período de 8 anos de involução. O Brasil ficou um pouco mais barbudo. O Brasil ficou um pouco mais pelego. O Brasil ficou um pouco mais com a língua presa. Submetidos ao lulismo ficamos um pouco mais parecidos com ele. Dilma Rousseff, por pior que seja, será mais fácil de lidar. Infelizmente, o inevitável fracasso do poste estimulará a tentativa de volta do Napoleão de Garanhuns. Até lá, com um pouco de sorte, quem sabe, possamos achar a nossa Waterloo.

Publicado no Jornal Informante no dia 31 de janeiro de 2010

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