Quem fica abismado em ver Lula aparecer no horário político de José Serra como um “lider experiente” e não como o caudilho que lidera o governo mais corrupto da história do Brasil, não conhece os fatos que levaram a oposição brasileira a escolher o caminho da irrelevância política.
A chegada do PT ao poder foi milimétricamente construída ao longo de 25 anos. Primeiramente com a tomada dos grupos responsáveis por mobilizar segmentos daquilo que viria a ser chamado de “sociedade civil organizada”. Sindicato por sindicato, Grêmio Estudantil por Grêmio Estudantil, DCE por DCE, Universidade por Universidade e jornal por jornal, todos acabaram sendo utilizados para construir a máquina petista fora do Estado. O funcionalismo público e a elite intelectual não ficaram de fora. Tudo foi sabiamente absorvido pelo petismo para funcionar em seu favor. A estratégia petista, geneticamente revolucionária, jamais entendeu a chegada ao poder como uma mera disputa eleitoral, mas sim como uma demorada e progressiva tomada de todos os setores representativos da sociedade. A militância do partido tinha, nesses lugares, o palco perfeito para espalhar a empulhação e comprar a mente e os corações dos desavisados. O PT construiu, desde sua fundação, as bases para que sua chegada ao governo fosse só a consumação de seu projeto de poder.
Quando chegou ao governo, depois de já ter chegado ao poder, o PT já tinha toda a estrutura pronta para debelar qualquer um que eventualmente lhe fizesse oposição. Os chamados movimentos sociais e representativos, que eram utilizados para fustigar os governos anteriores, quando o PT ainda estava na oposição, passariam então a ter a função de preservar a administração petista protestando contra aqueles que se opusessem ao governo de Lula. Os jornais, antes utilizados pelos petistas para destruir reputações de seus adversários e inimigos políticos, agora serviriam para esconder e sonegar informações sobre os escândalos petistas. O PT se tornou, muito por sua bem sucedida estratégia política, mas também muito pela ociosidade dos que deveriam lhe fazer frente, no detentor do monopólio do discurso e da manifestação.
A chegada ao governo foi truncada. O PT não sabia conviver com seu radicalismo. Os discursos brucutus de Lula, pregando o calote da dívida externa, não inspiravam confiança em um setor decisivo, e formador de opinião, da sociedade: a classe média. Em 2002, convencidos de que só se tornaria presidente se fizessem alguma concessão no falatório, e deixasse de lado o radicalismo que o caracterizava nos palanques do sindicato, Lula e o PT confeccionaram a chamada Carta ao Povo Brasileiro, documento que serviria como garantia aos mercados de que o governo petista se comprometeria com os fundamentos da economia, respeitando os contratos e mantendo a política cambial.
A campanha de Lula, magistralmente comandada pelo publicitário Duda Mendonça, entretanto, cunhou as palavras “mudança” e "esperança" como motes, enquanto, por baixo dos panos os petistas, sob a liderança de Antônio Palocci preparavam tudo para que o novo governo continuasse todas as políticas do governo que se encerrava. Estavam em ação as duas estratégias petistas que acabariam por saquear, de seus adversários, todas as bandeiras políticas que até então o PT, oportunamente, havia combatido ferinamente.
Jingle de Lula em 2002 - A empulhação nasce
Continua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário