Seja por manifestações de apoiadores, seja por discursos da própria candidata, seja por propostas elaboradas em convenções de seu partido, a campanha de Dilma praticamente implora todos os dias, com farto material, para ser aniquilada em qualquer área de debate. De política pública para proteção de crianças até política externa. Não é preciso ir muito longe, e nem procurar com muito esforço, para, por exemplo, no site da candidata Dilma Rousseff, encontrar toda sorte de empulhação que certamente seria utilizada contra ela por qualquer campanha eleitoral oposicionista que se dignificasse a, pelo menos, tentar vencer o pleito. Observem, por exemplo, o que aparece quando entramos na sessão “O Brasil Mudou / Brasil Internacional” no site http://www.dilma13.com.br:
“O Brasil, ao longo da história, sempre teve uma política externa voltada apenas para alguns poucos países. Por isso, foi somente a partir dos últimos anos que o país conseguiu avançar, construindo uma política multilateral.”
Ao longo dos últimos sete anos e meio Lula tratou de fazer o Brasil inteiro esquecer as caravelas de Cabral e tomar como marco zero, no descobrimento de nosso país, sua chegada à presidência da república. A Carta de Caminha foi esquecida e enterrada em alguma vala do PAC, sendo devidamente substituída na memória da população pela Carta ao Povo Brasileiro, e mais recentemente, pela enfadonha Carta ao Povo de Deus.
Se o governo de Lula nos fez esquecer de Pedro Álvares Cabral, qual o motivo de preservar a biografia histórica de Oswaldo Aranha ou do Barão do Rio Branco?
Se Oswaldo Aranha se tornou amigo de Franklin Delano Roosevelt, Lula se tornou amigo de Marmud Armadinejad. Se Oswaldo Aranha se empenhou decisivamente em favor da criação do Estado de Israel, Lula se empenhou decisivamente em favor da criação da bomba atômica do regime iraniano, que pretende varrer Israel do mapa, ao propor um acordo fajuto com os doidivanas de Teerã. Se o Barão do Rio Branco assegurou, através do Tratado de Petrópolis, o domínio do Brasil sobre o Acre perante a Bolívia, Lula, de braços cruzados, assistiu o governo boliviano expropriar ativos e investimentos da Petrobras naquele país. Se o Barão do Rio Branco conseguiu assegurar boa parte do território que hoje compõe Santa Catarina em litígio com a Argentina, Lula conseguiu tomar um esfrega do governo argentino no episódio que ficou conhecido como a “guerra das geladeiras”.
Na foto Lula, o Napoleão de Garanhuns. Onde estará nossa ilha de Santa Helena?
Mas não é só isso. Além de macular a história, apagando um passado de méritos para reescrever a história de nossa diplomacia com uma coleção de fracassos presentes o texto do site da candidata Dilma vai além e dissimula aquela que tem sido a linha mestra de atuação de nossa política externa: passar a mão na cabeça dos companheiros internacionais e dar de relho na dos que não são.
“As relações externas implementadas a partir do governo Lula se pautam pelo respeito às demais nações, sem ingerências em sua políticas internas.”
A afirmação acima seria correta se, em primeiro lugar, excluíssemos o erro de concordância em “sua políticas” e levássemos em conta, exclusivamente, o silêncio criminoso do governo brasileiro frente ao massacre de civis pelo governo do Sudão em Darfur, a complacência com a sanha totalitária do governo Chávez, que fecha TVs, manipula resultados de referendos e persegue adversários, o sorriso simpático ao horror protagonizado pela ditadura comunista dos irmãos Castro que deixa morrer de fome presos de consciência e fuzila manifestantes em catacumbas de prisões políticas e as manifestações canalhas e sádicas do primeiro mandatário do Brasil, praticamente endossando o apedrejamento de mulheres no Irã. Entretanto, mesmo que levemos em conta todas essas provas de não ingerência nos assuntos internos de outros países, não podemos esquecer que o Brasil só age desta forma quando o país em questão é alinhado a política terceiromundista em vigência no Itamaraty.
Quando o país em questão é Honduras, que bravamente não se rendeu a pressão internacional, e depôs, amparado na lei vigente em sua Carta Constitucional, um presidente fanfarrão que tentava, ao mesmo tempo em que se vestia de vaqueiro, também se vestir de caudilho, a atuação é outra. Chega-se até ao ridículo de transformar a embaixada brasileira em quartel general para maquinações cucarachas contra um governo democraticamente eleito. Quando o país em questão é Israel, que se defende da maneira que pode dos inimigos que o cercam, e que querem destruí-lo, ai a não ingerência torna-se só propaganda anti-israelense, com direito a embaixador do país sendo chamado para ouvir sermão de diplomata bolivariano.
O texto do site de Dilma prossegue, concluindo com aquele que é o velho dogma de qualquer esquerdista psicótico moderno: o fim da supremacia americana através do estímulo daquilo que eles chamam de “multilateralismo”.
“O Brasil não é um país imperialista. Estimulamos a cooperação entre os países, não as políticas de imposição. Valorizamos as organizações multilaterais, especialmente as Nações Unidas, e defendemos o reordenamento das relações entre os países.”
“Somente assim, será possível criar um sistema internacional em que o multilateralismo seja revigorado com a participação democrática de todos os países do mundo.”
Já houve quem falasse que política externa não dá voto. Pode até ser. O que dá voto, certamente, é a confrontação da empulhação com o fato concreto. O Brasil que presta clama para que o candidato oposicionista deixe de lado a propaganda política focada exclusivamente na gerência administrativa e passe ao confronto global com aqueles que hoje se acham donos do país. Um debate de idéias pode facilmente despertar o Brasil para a realidade da farsa política em que fomos metidos. Se a política externa não rende voto, então que se escolha qualquer outro assunto que renda. A produção de indigência intelectual é feita em larga escala por quem atualmente ocupa o poder. Eles, no fim das contas, fornecem todo o material necessário para serem derrotados. Basta que alguém queira vencê-los.

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