quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Continuando o debate com Rogir Centa, presidente do PT de Farroupilha

Um petista do sertão nordestino argumenta igual a um petista do centro de Anta Gorda. Foi a essa constatação que cheguei domingo passado quando debati com o presidente do PT de Farroupilha, Rogir Centa, em um programa da Rádio Miriam dedicado a discutir os resultados do primeiro turno das eleições de 2010. Estavam lá, além deste escriba e do presidente do PT, os empresários Cenair Gomes da Silva e Adelino Colombo, o ex-candidato a prefeito, Pedro Pedroso, o presidente do PSDB de Farroupilha, Diego Tormes e o ex-candidato a vereador pelo PDT, Professor Miguel de Souza, entre outros. A certa altura do debate, Rogir Centa resolveu vomitar uma série de empulhações sobre o governo FHC que acabaram, em virtude dos rumos do debate, sem resposta. Como não gosto de deixar petistas com a última palavra, aproveito esse espaço para rebater alguns dos disparates de Rogir Centa.


Os petistas, ao longo de 25 anos de Nova República, por puro oportunismo político, foram contra todas as grandes iniciativas que modernizaram o país institucional e economicamente. Foram oposição sistemática, sobretudo, quando o governo era o de FHC. Os petistas nunca se importaram com as conseqüências de sua bandalheira política. Sempre fizerem oposição ao país. Sempre foram situação apenas de si mesmos. Foram contra a Constituição. Foram contra a eleição de Tancredo Neves. Foram contra o governo de coalização de Itamar Franco. Foram contra o Plano Real. Foram contra a política econômica do Governo FHC, utilizada hoje, por eles, como trunfo eleitoral. Foram contra o PROER, programa de saneamento financeiro organizado no governo FHC e que serviu para erguer, no Brasil, um dos mais sólidos sistemas bancários do mundo. Foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, criada no governo FHC para racionalizar as contas públicas de Estados e Municípios. Foram contra as Agências Reguladoras, criadas no governo FHC para fiscalizar e organizar, dentro das normas do livre mercado, a atuação de empresas em setores que antes tinham controle estatal.


Os petistas, como Rogir Centa, foram contra tudo isso para quando chegassem ao poder, por sua astúcia política e inabilidade de quem deveria lhes fazer frente, confiscassem os méritos alheios e distribuíssem deméritos particulares. Ficou estabelecido que o Brasil moderno, construído ao longo de 70 anos foi descoberto em 2003, quando Lula, em sua nau petista desembarcou no Planalto Central. O passado do PT foi apagado pelos próprios petistas. Hoje são eles, os opositores que propunham o movimento Fora FHC em 98, que hoje acusam os outros partidos de serem “oposição raivosa” e tramarem “golpes”. Como se golpe fosse um processo de Impeachment, movido legalmente no Congresso Nacional, contra um mandatário que seguidamente incorreu em prevaricação, passando a mão na cabeça de notórios criminosos.


Um dos alvos preferidos dos petistas, quando abrem a boca pra falar mal do governo FHC, recai sobre as privatizações. Petistas são saudosistas do tempo em que linha de telefone precisava ser declarada no Imposto de Renda. Depois de privatizada, a telefonia, no Brasil, se tornou universal. Existem mais de 180 milhões de aparelhos celulares no país. Depois de privatizada a Vale do Rio Doce se tornou a segunda maior mineradora do mundo e a empresa brasileira que mais investe no Brasil. Desde sua privatização a Vale já pagou em impostos mais de 200 bilhões de reais. Mas não é esse tipo de privatização, que gera ganhos coletivos, que os petistas gostam. Eles preferem as privatizações que geram benefícios apenas privadas. É a chamada privatização gratuita do aparato estatal para o uso da “cumpanheirada”. Foi assim que eles transformaram a Receita Federal em central de produção de dossiês. Foi assim que parte da Polícia Federal foi colocada a serviço do partido, tornando-se uma polícia política do PT. Foi assim que estatais, como os Correios e Furnas, foram transformadas em fonte de renda para o Valérioduto. Foi assim que as Agências Reguladoras se transformaram em centrais de operação de interesses privados, dominadas pela politicagem. O amor dos petistas pelo Brasil é na verdade o seu amor pelo uso do aparelho estatal. A noção de patriotismo que eles têm vai até onde eles podem aparelhar a máquina pública.


Rogir Centa me definiu como um corajoso. Tudo porque defendi FHC entusiasticamente, discordando dele que considera a administração tucana, que possibilitou tantos méritos ao atual governo, como uma gestão “catastrófica”. Nos últimos oito anos o PT se tornou especialista em demonizar o passado. A oposição de meia tigela lhe possibilitou o monopólio do discurso e a escrita da versão final sobre história do país. Tanta liberdade acabou fazendo os petistas encararem com consternação toda e qualquer defesa dos princípios que eles descaradamente chutam sem dó nem piedade. Rogir Centa está errado. Para defender o governo FHC não é preciso coragem, basta ter honestidade intelectual.

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