quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Democracia hedionda

O Brasil é único no mundo por diversos aspectos. Um deles é não ter um partido ideologicamente de direita. As agremiações partidárias existentes hoje travam uma disputa acirrada para conseguir o título de mais esquerdista. Taxam uns aos outros de direitistas, como se isso fosse um xingamento ou um crime. Trata-se do resultado do trabalho de anos empreendido pela esquerda no sentido de vulgarizar e demonizar a corrente ideológica representada pela direita. Os dois principais partidos políticos brasileiros se encontram no campo esquerdista, estando o PT mais próximo das teses socialistas tradicionais e o PSDB mais próximo ao centro, gravitando no mesmo espaço político em que atualmente se encontram os partidos da esquerda europeia. Não é à toa que Serra e Dilma, no fim das contas, compactuavam em diversas propostas, principalmente no referente ao aumento da participação do Estado na economia.

A mesmice vista nas eleições é consequência do debate político que se dá dentro de apenas um único campo ideológico, restando unicamente as evidentes diferenças no campo institucional onde o PSDB, como partido social-democrata, se coloca como defensor das instituições e da democracia e o PT, como partido revolucionário, tenta transformar a sociedade e pulverizar o Estado de Direito, em seus planos de implantar um regime autoritário de partido único no País.

O eleitorado brasileiro, composto imensamente por pessoas conservadoras continua órfão de representação política. Não há um único partido que defenda abertamente a economia de mercado e os valores judaico-cristãos no Brasil. O DEM, que eleição após eleição diminui de tamanho, por fruto da incompetência de seus próprios integrantes e líderes, jamais se dispôs a ocupar esse espaço. Ao invés disso, preferiu deixar de ser PFL, escondendo o Liberal que ostentava para adotar um nome insosso na vergonha de se declarar como de direita e na ânsia de se aproximar do centro.

O debate político unilateral promovido no País faz de nossa democracia uma coisa hedionda. Não é à toa que Lula já demonstrou inúmeras vezes o quanto ficava feliz em não ver nenhum candidato direitista a presidente disputando as eleições. Mais do que constatar a vitória política da esquerda sobre a direita no Brasil, Lula escancarou também a sua simpatia e a simpatia da esquerda pelo único tipo de democracia que eles gostam: democracia nenhuma.

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